Conceito
Definindo Willy
Tomar a própria história e os próprios desejos como referência e ponderá-los sob a ótica e a dinâmica da criação artística, atualizada com o DESIGN (que tende a pensar a estética como força motora social para resultados mais amplos e abrangentes) pode ser um dos jeitos mais antigos de dar significado ao trabalho de maneira geral na falta de uma perspectiva focada nos preceitos do Design (coisa nova e ainda pouco dissolvida na cultura do país) e é preciso muita coragem artística e até certa ingenuidade para apresentar uma rara e valorosa habilidade de colocar-se como personagem intrínseco do próprio fazer laboral.
Temática:
Compreensão de Perfil

Um conceito sobre algo numa descrição deveria percorrer um raciocínio mais lógico das coisas que o compõem numa dissertação. No caso do "Willy" como personagem de uma narrativa vivenciada por mim mesmo, que não se tratava de uma pessoa real, mas de uma persona que irrigava todo o imaginário por trás da criação de uma marca de moda homônima (ao personagem) em um dos meus projetos nesse setor, decidi transcorrer sobre suas características de indivíduo mesclando ao meu histórico de trabalho nesse projeto que por diversas vezes se fundia de fato à construção da minha interpretação pessoal de vida a partir desse aprendizado ao qual me entreguei e me propus a entender e servir ao perfil de público-alvo para o qual trabalhava no projeto.
Desse modo parecia mais nítido e justo falar sobre "Willy" numa narrativa ficcional inspirada por essa passagem de modo mais lúdico e poético (apesar do tom realista intencional do texto), tanto para fazer jus e reconhecer o tamanho dos esforços envolvidos, tamanha boa vontade e entrega (sem falsa modéstia, pls!), mas também colocar o conceito "Definindo Willy" no lugar exato da interpretação que desejo que o leitor possa ter acesso de modo mais fácil e rápido. Assim:
"Era uma vez um garoto que vivia em um lugar hostil ao seu jeito de ser e viver a vida. Ele costumava dar muita importância para as coisas porque as achava interessantes e fundamentais no contexto geral. O jovem Willy nem era mais uma criança para desejar tão profundamente as coisas, mas também não era tão experiente em sua vida adulta a ponto entender os riscos de se aventurar nos afazeres de uma vida profissional. Ele entendia bem a diversidade e sabia lidar com ela como ninguém porque era simplesmente paciente. Estava "indo" e curtia tudo porque via-se pouco de onde ele vinha e era muito bem quisto por todos à sua volta: crianças simpatizavam muito com ele, as mulheres amavam a sua companhia e mesmo os homens nutriam certo respeito, mas com certa distância (Willy não tinha muitos amigos e quase sempre caminhava sozinho) enquanto que os outros rapazes quase sempre sentiam o impacto dos benefícios da sua presença, mas ele tinha o hábito de vislumbrar as mais diversas possibilidades de mudança para as coisas que lhe pareciam ruins ou inadequadas, como a de que existisse uma linda gelateria com uma varanda incrível, cheia de mesinhas com vista para o pôr do sol no ponto mais alto do bairro onde ele morava.
Porém o garoto não fazia ideia de toda a dinâmica envolvida para que esse e todos os outros desejos desenvolvimentistas existisse. Ele ignorava totalmente o fato de o bairro onde morava nas periferias da metrópole sofrerem de um lapso de tempo gigantesco com relação ao Centro e que não conseguia acompanhar o seu desenvolvimento, não porque Willy tivesse algum retardamento cognitivo, mas porque ele tinha uma compreensão óbvia da vida, simplificada como deveria ser e um senso objetivo muito eficiente em fugir do ordinário como meio de aproveitamento das sua habilidades (Willy era um estudioso nato e ele amava estudar formalmente também)... e tinha consciência da sua perspectiva de vida com poucos recursos. Não se dava por vencido e como diz um certo ditado: 'não sabendo que era impossível, ele foi lá e fez!'
Persistente, ele começou a usar todo o seu talento e sensibilidade artística, apesar de restritivo conhecimento técnico, para tentar mudar as ideias de rejeição do seu entorno sobre as coisas que para ele eram o guia mais certeiro da humanidade, presente em todos os discursos em qualquer direção e em qualquer segmento social, todos falavam de Cultura e evolução na construção de suas carreiras e todos pareciam guiar-se por esse discurso para justificar sua escalada na vida, mas esse garoto, já um rapaz na verdade também sabia identificar a falta de abertura para o novo e pôs-se através de desenhos, poesias escritas e outros meios de confecção artística a compartilhar o seu olhar sobre esse universo de refúgio para a sanidade mental coletiva. Ao passar dos anos era possível perceber nitidamente as marcas do seu esforço onde pairava uma consciência de que ali mesmo, onde estavam a levar suas vidas existia de algum modo, em algum lugar na memória coletiva uma passagem de poesia, lirismo e esperança tornando-se um campo próspero para a criatividade.
Aquele período no tempo que Willy debruçou-se a mostrar o que sabia apenas por acreditar que poderia, mudou o futuro de uma gente para sempre. Ele estava então inserido em uma realidade onde todas as coisas bonitas já não eram mais somente em sua cabecinha ingênua de um garoto feliz, era também concreto, real e independente da sua imaginação.
FIM"






